James A. Macinko - estudo sobre cuidados de saúdeUm estudo realizado por James A. Macinko – professor de políticas de gestão da saúde e ciências da saúde da comunidade da UCLA Fielding School of Public Health – veio reconhecer que o Brasil melhorou significativamente o acesso da população aos cuidados de saúde, no entanto, muito mais ainda tem que ser feito para erradicar as desigualdades que existem no país.

Comportamentos e atitudes relacionados com a saúde

O estudo revelou que existem “desigualdades sociais relativamente aos comportamentos e atitudes relacionados com a saúde entre adultos brasileiros”, tendo sido detetadas desigualdades sociais significativas, incluindo mais tabagismo, inatividade física nas horas de lazer, estilo de vida sedentário, consumo de leite e baixa ingestão de verduras, vegetais e frutas entre os menos educados, a população não branca e entre aqueles que não têm seguro de saúde privado. Os homens tinham taxas mais elevadas do que as mulheres de tabagismo, consumo de álcool e consumo de carne gordurosa, e comiam menos verduras, vegetais e frutas.

Cuidados de saúde x doenças crônicas

O estudo também detetou desigualdades no acesso ao tratamento para a depressão, mostrando que a prevalência geral de depressão foi de 7,9%, sendo que 78,8% não receberam nenhum tratamento e 14,1% receberam apenas farmacoterapia – os pobres, os não-brancos e os que vivem em áreas com escassos recursos de saúde mental tiveram mais dificuldade em ter acesso aos cuidados de saúde mental.

“Desigualdades educacionais e hipertensão auto-relatada” – O estudo revelou que a prevalência ajustada pela idade da hipertensão auto-relatada foi de 18,8% e 23,6% para homens e mulheres, respetivamente. As mulheres negras e mulatas apresentaram maior prevalência do que as mulheres brancas (26,%, 25% e 22,1%, respetivamente), mas não foram encontradas diferenças raciais entre os homens. Além disso, houve uma associação inversa entre hipertensão e escolaridade entre mulheres brancas e mulatas, mas não nas mulheres negras; entre os homens, havia uma sugestão de associação direta entre brancos e mulatos, mas não nos negros.

Qualidade de vida

Os dados revelaram desigualdades na expetativa de vida saudável existindo grandes disparidades por regiões geográficas, com os piores indicadores concentrados nas regiões mais pobres do Norte e Nordeste. Para homens e mulheres com idade de 20 anos, as estimativas de expetativa de vida saudável (o número de anos adicionais expetáveis de serem vividos em boa saúde) nas regiões Sul e Sudeste mais ricas foram 6,2 anos superiores do que nas regiões mais pobres do Norte e do Nordeste, tanto para as mulheres como para os homens.

Artigo escrito por Carlos Pereira – Autor do blog Dieta Alcalina

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