• Publicidade

Fibromialgia: entenda a síndrome da dor crônica que tirou a cantora Lady Gaga do Rock in Rio

No dia 14 de setembro de 2017, o Brasil foi pego de surpresa com o anúncio de que a cantora americana Lady Gaga não se apresentaria no Rock in Rio, por conta de uma crise de Fibromialgia. Mas que doença é essa?

Fibromialgia: o pesadelo da dor crônica disseminada

Por muitos anos, pessoas que sofriam de Fibromialgia foram mal interpretadas e até discriminadas. Sentiam dores agudas e crônicas sem a existência de qualquer lesão ou infecção. Queixavam-se de cansaço e fadiga extrema, mesmo após uma noite inteira de sono. Não raro, eram tratadas como pacientes de alguma síndrome psicológica. Como se a dor que sentiam fosse fruto de sua imaginação.

Nas últimas duas décadas, os avanços da Medicina ajudaram a compreender melhor essa síndrome. Hoje, sabe-se que o paciente de Fibromialgia sofre de um distúrbio neurológico que potencializa a sua dor.

Neste artigo vamos explicar como a Fibromialgia age, seus sintomas e tratamentos:

Pacientes de Fibromialgia dizem que a dor não passa

Os relatos de pacientes que sofrem com a Fibromialgia convergem sempre para uma dor generalizada, que nunca passa.

Apesar de mais comum entre adultos entre 30 e 55 anos, ela também pode acometer crianças, adolescentes e até idosos. É o caso de dona Maria Joana Pontes, de 84 anos:

“É uma dor horrível. E às vezes você não consegue nem localizar onde está doendo. Você dorme e não acha que dormiu. Todo dia eu levanto cansada e me pergunto: será que eu dormi? ”, revela Dona Maria, em depoimentos ao portal do Estado de Minas.

Confira os principais sintomas da Fibromialgia:

  • Dor generalizada e crônica em todo o corpo
  • Hipersensibilidade ao toque e a abraços
  • Cansaço, sonolência, fadiga extrema
  • Falhas de memória e dificuldade de concentração
  • Dores abdominais, queimações e formigamentos
  • Dor ao urinar e dor de cabeça
  • Tendência a ansiedade e depressão

Diagnóstico de Fibromialgia é clínico

Até hoje não existe um exame específico para confirmar a Fibromialgia. De acordo com Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), para diagnosticá-la, o médico deve avaliar os sintomas, contar com sua experiência e trabalhar para descartar outras enfermidades.

Protocolos medem intensidade da dor

A fibromialgia costuma surgir após um trauma físico ou psicológico. Começa como uma dor intensa que vai se alastrando até tomar todo o corpo e não sumir mais.

Existem alguns protocolos e perguntas que medem pontos de dor no corpo, a frequência e intensidade com que elas ocorrem. Isso ajuda o médico a fechar o diagnóstico.

As dores costumam atingir os músculos e articulações de forma crônica e disseminada. Por isso, muitos pacientes chegam a ser investigados por suspeita de artrose ou algum outro tipo de doença degenerativa.

Fibromialgia é uma disfunção neurológica

Hoje sabe-se que a Fibromialgia é uma síndrome que atua diretamente nos neurotransmissores responsáveis pelo processamento da dor no cérebro.

Por algum motivo que a ciência ainda não sabe explicar, em quem tem a síndrome, a quantidade de neurotransmissores responsáveis pela dor é maior. Com isso a pessoa acaba tento um estímulo à dor muito acima do normal.

Pacientes podem ter depressão e ansiedade

Como a dor constante persiste por meses ou anos, quem sofre acaba aprendendo a conviver com ela. Já para quem está de fora, pode parecer que há um exagero nas constantes reclamações. Por isso é comum que pacientes sofram também de depressão e ansiedade.

“Parar de doer totalmente, jamais. Mas a gente se acostuma. Do pescoço pra baixo dói tudo. Principalmente as pernas e a coluna. Muitas pessoas olham pra mim, que tenho uma boa estatura e um corpo forte, e acham que é desculpa para não trabalhar”, lamenta Jorge Luiz Dutra, de 59 anos.

 Alguns fatores podem piorar os sintomas:

  • Estresse emocional
  • Alguma infecção
  • Falta de exercício físico
  • Excesso de exercício físico
  • Exposição ao frio
  • Sono ruim
  • Trauma emocional ou físico

Mulheres sofrem mais de Fibromialgia

No Brasil estima-se haver mais de 5 milhões de pessoas que sofrem com a Fibromialgia. E a síndrome atinge a um número bem maior de mulheres do que homens. Cerca de 80% dos pacientes são do sexo feminino.

Esse, aliás, é mais um fator que contribuiu para que, no passado, houvesse um certo preconceito e até descrença em relação aos sintomas e às queixas de pacientes.

Como viemos de uma sociedade originalmente machista, as reclamações das mulheres muitas vezes não eram levadas tão à sério. E acabavam interpretadas como exageros.

Um dos motivos para haver maior propensão das mulheres à Fibromialgia pode estar no fato de que elas produzem menos serotonina. Um importante neurotransmissor, que atua no sono, na produção de hormônios e no processamento da dor.

 Tratamento requer antidepressivos

O mais difícil no tratamento da Fibromialgia é fazer o paciente entender que ele precisará tomar remédios muito utilizados em tratamentos psiquiátricos. Alguns interpretam isso como se houvesse uma desconfiança de que as dores são na verdade de fundo psicológico.

Mas não se trata disso. Como a dor da Fibromialgia não é provocada por lesão ou inflamação. Anti-inflamatórios, corticoides ou analgésicos não são eficazes. Para surtir efeito, o tratamento precisa ser à base de antidepressivos e neuromoduladores. Só assim consegue-se regular os sinais de dor processados no cérebro.

A importância da atividade física

A Fibromialgia não tem cura, mas pode ser controlada. Além dos remédios, uma recomendação obrigatória é a prática de exercícios físicos.

Ao contrário do que se possa imaginar, mesmo com dores, eles não são contraindicados. Pelo contrário. Os exercícios ajudam a combater os sintomas da síndrome e a melhorar a qualidade de vida do paciente.

Você conhece alguém com Fibromialgia?

Se você conhece alguém que possa sofrer de Fibromialgia, compartilhe este artigo com essa pessoa. Ajude a divulgar as causas e soluções para essa síndrome que aflige milhões de brasileiros

Aproveite para deixar um comentário sobre este artigo ou para sugerir um outro tema que você gostaria de encontrar aqui no Caminhos da Saúde.

Adicionar a favoritos link permanente.

3 Comments

  1. A doença pode ser transmitida de pai para filho?

  2. A doença pode ser transmitida geneticamente, por exemplo de pai para filho?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Publicidade